Prefeitura cai em golpe e paga R$ 2,1 milhões no interior de SP; liminar bloqueia valor
Montante seria destinado ao vale-alimentação de servidores municipais de Pirassununga (SP). Crédito atrasou 6 horas para cair, segundo Sindicato dos Servidor...

Montante seria destinado ao vale-alimentação de servidores municipais de Pirassununga (SP). Crédito atrasou 6 horas para cair, segundo Sindicato dos Servidores do município. Prefeitura de Pirassununga é alvo de golpe e deposita mais de R$ 2 milhões em conta falsa A Prefeitura de Pirassununga (SP) caiu em um golpe e fez uma transferência de R$ 2,181 milhões para criminosos no dia 12 de fevereiro. O caso veio à tona neste domingo (30) e foi confirmado pelo município. Está em andamento uma tentativa de reaver a quantia na Justiça, que inicialmente negou um pedido de urgência ao processo. Nesta segunda-feira (31), uma liminar decidiu pelo bloqueio do valor no banco Rendimento. (veja mais abaixo). 📲 Participe do canal do g1 São Carlos e Araraquara no WhatsApp O montante quitado indevidamente seria para o crédito do vale-alimentação de servidores municipais, que costuma ficar disponível no dia 15 de cada mês. LEIA TAMBÉM: Golpe de R$ 2,1 milhões: prefeitura foi alertada por empresa sobre possível fraude 9 dias antes Ao g1, o presidente do Sindicato dos Servidores da cidade, Éder Ricardo Pereira da Cruz, afirmou que, apesar da situação, os funcionários só demoraram seis horas a mais para receber o vale. "Normalmente recebem às seis horas da manhã. Estava provisionado, e aí quando foram usar pela manhã, não conseguiram. Mas, ao meio-dia, o dinheiro caiu", explicou. A Prefeitura ainda não explicou qual foi a "manobra" orçamentária feita para garantir o crédito. Em nota, informou que no dia 15 de março a empresa Le Card realizou o pagamento dos valores do vale alimentação para os servidores e, posteriormente, a Prefeitura realizou o pagamento a eles. "Por ruídos na comunicação, a comunicação do alerta de possível golpe envolvendo a utilização indevida do nome a empresa não foi visualizada pela Tesouraria", informou a administração municipal. A Câmara Municipal vai instaurar Comissão Especial de Inquérito para apurar o caso. A Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) também informou que o caso é investigado como estelionato em inquérito policial. Prefeitura de Pirassununga teria recebido e-mail com informações falsas Reprodução/EPTV MAIS NOTÍCIAS DA REGIÃO: CRIME: Saiba quem era o empresário Celino Soares, encontrado morto e parcialmente enterrado em MG VÍDEO: Jiboia é vista 'passeando' perto de escola estadual em Caconde VIOLÊNCIA: Mulher é morta com golpe de faca no pescoço por dívida de R$ 600 em Leme E-mail e detalhes do caso A transferência teria acontecido a partir de um e-mail que informava alteração nos dados bancários da empresa responsável pela gestão do vale-alimentação dos servidores. Os golpistas teriam aberto essa conta em nome da empresa. Diante do ocorrido, o município fez um boletim de ocorrência, abriu protocolo administrativo para apuração de eventual fraude e pediu indenização por danos materiais contra o banco que permitiu a abertura da conta. O município de Pirassununga tem cerca de 2.400 servidores municipais Reprodução / EPTV O juiz Jorge Corte Júnior, da 3ª Vara de Pirassununga, indeferiu o pedido de urgência da Prefeitura e negou o bloqueio de valores da instituição bancária. A justificativa do juiz foi de que o município "sequer indicou ao polo passivo a beneficiária das transferências indicadas" e de que diversos documentos, inclusive e-mails são citados, mas "sequer foram juntados aos autos, o que enfraquece a verossimilhança das alegações". Corte Júnior acrescentou que "não é impeditivo que as partes transijam e tragam eventual acordo para homologação judicial". O juiz deu 15 dias para que a Prefeitura possa contestar a negativa e o município informou que "peticionou a reconsideração". Liminar Nesta segunda (31), uma liminar do mesmo juiz bloqueou o valor das contas do banco. "(...) considerando-se a responsabilidade objetiva do Banco réu e a probabilidade de que a conta tenha sido aberta para perpetrar uma fraude, entendo presentes os requisitos da tutela de urgência (CPC art. 300), até mesmo porque a robustez econômica do réu é muito maior que a do município, cujas finanças estão combalidas há anos, estando presente também o risco de dano de difícil reparação, uma vez que a matéria envolve questão de considerável alcance social, atinente ao vale alimentação dos milhares de funcionários municipais, defiro a tutela para que seja bloqueada junto às contas do Banco réu a importância de R$ 2.181.878,66", escreveu Corte Júnior na decisão. O g1 entrou em contato com o banco e aguarda posicionamento sobre a liminar. No início da tarde, o banco informou à reportagem que a Le Card não possui conta corrente ou relacionamento com o Banco Rendimento. "Conforme apurado, a Le Card tem uma conta digital na 7TRUST FINANCE, instituição de pagamento em funcionamento de acordo com os normativos do Banco Central, que contratou os serviços do Banco Rendimento, para a liquidação de suas transações financeiras. O Banco Rendimento segue as regulamentações do Banco Central e está à disposição das autoridades para eventuais esclarecimentos". VEJA TAMBÉM: Moradores reclamam das condições de lago em Pirassununga REVEJA VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara