Corpo encontrado em rodovia é de eletricista desaparecido após fugir de hospital no interior de SP
Corpo em estado de decomposição foi encontrado em abril deste ano na Rodovia Anhanguera (SP-330) em Araras (SP) Portal CCM – Artesp (ccm.artesp.sp.gov.br) e...
Corpo em estado de decomposição foi encontrado em abril deste ano na Rodovia Anhanguera (SP-330) em Araras (SP) Portal CCM – Artesp (ccm.artesp.sp.gov.br) e Arquivo pessoal A Polícia Civil de Araras confirmou nesta terça-feira (15) que o corpo em estado de decomposição encontrado na Rodovia Anhanguera (SP-330) é do eletricista Alex Rodrigo Nascimento, de 42 anos. Ele desapareceu após fugir de um hospital onde estava internado em 21 de fevereiro. Alex estava fazendo tratamento de um quadro grave de depressão. À época, a família dele, que é de Santa Bárbara d'Oeste, disse que houve negligência por parte do Hospital São Leopoldo Mandic, por não ter impedido que ele fugisse e pelo atraso na comunicação do desaparecimento. O Hospital São Leopoldo Mandic, em nota enviada nesta terça-feira (15), manifestou sinceras condolências e solidariedade aos familiares de Alex. Anteriormente, a instituição disse que o eletricista se encontrava "lúcido, orientado e plenamente capaz de exercer sua autonomia quanto à aceitação ou recusa do tratamento proposto". (Veja mais abaixo). 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram Agora no g1 Após a localização do corpo, em 25 de abril, a polícia solicitou à esposa do eletricista uma radiografia panorâmica de Alex para auxiliar na identificação. Ao g1, Natália Nascimento disse que a confirmação de que o corpo era do marido dela ocorreu na última segunda-feira (14), quase sete meses depois do desaparecimento. "Eu trouxe [o exame] para a polícia e a gente não teve mais notícia nenhuma desde então, então a gente continuou na esperança de encontrar", disse Natália. A esposa afirmou que o exame foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo porque o procedimento é feito lá. "E veio o resultado de positivo para a identificação do corpo, então, segundo a polícia, aqui não tem mais dúvidas do reconhecimento do corpo." A causa da morte ainda será esclarecida. "O que ainda vai correr é para se chegar em um possível motivo da morte porque não foi declarado, como o corpo já estava em um estado avançado de decomposição, o médico legista não conseguiu identificar o motivo da morte, é o que ainda vai continuar na investigação". Natália disse que a confirmação do encontro de Alex traz um conforto aos familiares. "De verdade, eu estava quase enlouquecendo desde fevereiro com essa angústia. Ter uma resposta, por pior que ela seja, nos traz um conforto, mas é um pesadelo [...] e uma sensação de revolta muito grande, era só o hospital ter feito o que precisava ser feito, minimamente, nada além do comum, apenas prestado o serviço deles." Internação e desaparecimento Alex Rodrigo Nascimento, de 42 anos, desapareceu após fugir do hospital que estava internado, em Araras (SP), no último sábado (21) Arquivo pessoal O eletricista foi internado em 19 de fevereiro e desapareceu por volta das 11h de sábado (21). O hospital registrou um boletim de ocorrência on-line às 18h56 do mesmo dia. A família foi informada no domingo (22), e a esposa, Natália Rostirola Nascimento, foi à Delegacia de Araras registrar o caso presencialmente. Segundo o B.O., Natália recebeu informações divergentes no hospital. A primeira versão passada à família foi de que Alex havia sido visto pulando um muro da unidade, usando bermuda preta, camisa estampada e chinelo. Porém, um enfermeiro informou que ninguém havia presenciado o momento. Natália teve acesso a imagens da câmera de segurança da cantina, único local do hospital com monitoramento, que mostram Alex caminhando de uma ala em direção aos fundos, usando bermuda clara, camiseta preta e chinelo preto. Ele foi visto pela última vez por uma educadora física. A esposa também relatou que o hospital não esclareceu se Alex estava medicado no momento do desaparecimento e não forneceu o prontuário médico. Ela afirmou ainda ter encontrado materiais de construção, sucatas e ferramentas nos fundos da ala onde ele estava internado. Família questiona atendimento Segundo Lorena Rostirola, irmã de Natália, Alex fazia tratamento contra a depressão desde novembro de 2025, mas sem grandes melhoras. A decisão pela internação ocorreu quando ele passou a não querer sair de casa e não conseguir trabalhar. A família afirma que foi informada sobre o desaparecimento às 14h de sábado, cerca de três horas depois. Após procurar por Alex em Araras, conseguiu acesso a uma filmagem que o mostrava ele subindo a rua do hospital em direção à pista, às 11h14. Lorena questionou o tempo levado pelo hospital para registrar a ocorrência e afirmou que foi necessário que a irmã fosse presencialmente à delegacia. A família também contratou uma equipe jurídica para auxiliar na documentação que possa ajudar a encontrar Alex. Assista à reportagem sobre o desaparecimento Família procura homem que desapareceu depois de internação em Araras Tipos de internação Segundo uma psiquiatra ouvida pelo g1, a legislação brasileira prevê três tipos de internação psiquiátrica: voluntária, involuntária e compulsória. A voluntária ocorre quando o paciente aceita o tratamento. A involuntária é solicitada por familiar ou responsável, com indicação médica, e deve ser comunicada ao Ministério Público em até 72 horas. Já a compulsória é determinada pela Justiça. No caso de Alex, a esposa afirmou que ele demonstrou resistência em permanecer no hospital e que ela autorizou a internação involuntária. A psiquiatra explicou que uma perícia poderá avaliar as condições de Alex no momento em que deixou a unidade e eventual responsabilidade pelo ocorrido. Segundo ela, o prontuário médico é um documento pessoal e, em regra, não pode ser acessado diretamente pela família para investigar o caso sem autorização judicial. Hospital diz que segue protocolos Em nota, o Hospital São Leopoldo Mandic afirmou que, assim que percebeu o desaparecimento, adotou protocolos de contingência, realizou buscas internas e externas, comunicou a polícia e avisou os familiares. A instituição disse ainda que está colaborando com as autoridades, oferecendo suporte à família e que as condutas adotadas seguiram parâmetros éticos e técnicos. Sobre as demais alegações da família, informou que a nota continha todo o posicionamento do hospital. Questionado pelo g1 sobre o procedimento em casos de pacientes que tentam deixar a unidade sem alta, o hospital afirmou que segue resolução do Conselho Federal de Medicina sobre o direito de recusa ao tratamento por pacientes maiores de idade, capazes, lúcidos, orientados e conscientes no momento da decisão. A instituição também informou que o caso de Alex é investigado em sindicância. Em novo comunicado, enviado em 27 de fevereiro, o hospital afirmou que Alex foi avaliado pela equipe médica e que, na manhã de 21 de fevereiro, estava “lúcido, orientado e plenamente capaz” de decidir sobre a aceitação ou recusa do tratamento. Em nota enviada nesta terça-feira (15), o hospital manifestou sinceras condolências e solidariedade aos familiares de Alex. Veja o comunicado na íntegra: "O Hospital São Leopoldo Mandic manifesta suas sinceras condolências e profunda solidariedade aos familiares de Alex Rodrigo Nascimento, neste momento de dor. A instituição esclarece que o paciente evadiu-se da unidade hospitalar no dia 21 de fevereiro de 2026. Imediatamente após a constatação, o hospital acionou seus protocolos internos de contingência, promovendo buscas internas e externas , realizando a devida comunicação às autoridades policiais para registro de ocorrência e prestando pronta informação e suporte de caráter humanitário aos familiares. Destacamos, ainda, que a internação observou os preceitos da lei e as diretrizes do Conselho Federal de Medicina, fundada em modelo terapêutico de atenção psicossocial, sem caráter custodial ou restritivo de liberdade. O hospital reitera sua solidariedade à família, e permanece cooperando integralmente com as autoridades competentes." REVEJA VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara