Após um ano, prefeitura tenta recuperar R$ 2,1 milhões perdidos em golpe; caso está sob sigilo
Prefeitura de Pirassununga teria recebido e-mail com informações falsas Reprodução/EPTV Um ano após o golpe que resultou na transferência indevida de R$ 2...
Prefeitura de Pirassununga teria recebido e-mail com informações falsas Reprodução/EPTV Um ano após o golpe que resultou na transferência indevida de R$ 2,181 milhões, o caso envolvendo a Prefeitura de Pirassununga (SP) segue sob sigilo judicial. O caso aconteceu no dia 12 de fevereiro de 2025, mas só veio a público depois de semanas do ocorrido. Leia também: Prefeitura cai em golpe e paga R$ 2,1 milhões no interior de SP; liminar bloqueia valor O município informou nesta segunda-feira (23) que o caso segue em investigação e já existem valores bloqueados de suspeitos de envolvimento na ação. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram Na ocasião, a prefeitura realizou o pagamento após receber um e-mail fraudulento solicitando a alteração dos dados bancários da empresa responsável pelo vale-alimentação, a Le Card. Embora a empresa tenha alertado o setor de Recursos Humanos sobre a possibilidade de golpe, a informação não foi repassada à Contabilidade, e a transferência acabou sendo feita para a conta dos criminosos. (Confira a cronologia abaixo) Prefeitura de Pirassununga é alvo de golpe e deposita mais de R$ 2 milhões em conta falsa Leia mais: RELEMBRE: Golpe de R$ 2,1 milhões: prefeitura foi alertada por empresa sobre possível fraude 9 dias antes GOLPE: Câmara de Pirassununga abre CEI para investigar golpe de R$ 2,1 milhões sofrido pela prefeitura PREJUÍZO: Agência de viagens alega falência e cerca de 300 pessoas ficam no prejuízo no interior de São Paulo Caso sob sigilo Em nota ao g1, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que o caso é investigado, sob sigilo judicial, por meio de inquérito policial instaurado na Delegacia de Pirassununga. “A autoridade policial prossegue com as diligências visando ao total esclarecimento dos fatos”, diz o comunicado. OTribunal de Justiça de São Paulo informou que o processo tramita sob segredo de Justiça e, por isso, não há informações disponíveis para divulgação. Relembre o caso A falta de comunicação entre setores da Prefeitura de Pirassununga (SP) é a principal explicação para o município ter caído no golpe. Um e-mail do golpista pedia para a prefeitura alterar dados de pagamento em nome da empresa Le Card, que administra o pagamento do vale. A empresa foi consultada e negou a mudança ao RH da prefeitura, alertando que se tratava de uma possível fraude. O RH, contudo, não avisou à contabilidade e o pagamento foi feito ao criminoso. Na ocasião, a prefeitura tentou reaver a quantia na Justiça, que inicialmente negou um pedido de urgência ao processo. Depois, uma liminar decidiu pelo bloqueio do valor no banco Rendimento. E-mail falso A situação começou quando, em 3 de fevereiro de 2025, o setor de contabilidade da prefeitura recebeu um suposto e-mail da empresa contratada para administrar o vale-alimentação dos servidores municipais. No texto, os golpistas, que se passavam pela empresa, pediram a alteração de dados bancários. (veja no print abaixo) E-mail mostra golpistas se passando pela Le Card e pedido de alteração de conta para a Prefeitura de Pirassununga Reprodução A contabilidade municipal questionou o setor de recursos humanos sobre o pedido. O RH chegou a entrar em contato com a Le Card, que avisou se tratar de uma fraude, segundo afirmou na época ao g1 o diretor-financeiro da empresa, Gervando Thompson. A informação, no entanto, não foi repassada do setor de recursos humanos à contabilidade. A prefeitura informou que "a comunicação do alerta de possível golpe envolvendo a utilização indevida do nome a empresa não foi visualizada pela Tesouraria". Criminosos "orientaram" o golpe passo a passo Sem receber a comunicação do RH, o setor de contabilidade continuou trocando e-mails com os golpistas. E no dia 5 de fevereiro foi feito um primeiro pagamento, no valor de R$ 36, já para os criminosos. Eles chegaram a reclamar que o valor havia sido estornado e o setor de contabilidade alegou que havia divergência nos dados bancários. No dia 6 de fevereiro, os responsáveis pelo golpe fizeram orientações com mais uma "isca" para a ação. A funcionária, também em 6 de fevereiro, respondeu dizendo: "Fiz com a opção correta, conforme comprovante em anexo". O pagamento principal, dos R$ 2,181 milhões, aconteceu em 12 de fevereiro. Neste dia, inclusive, os criminosos, primeiramente, reforçaram para que a contabilidade municipal fizesse a transferência na conta "correta". (Confira nos prints abaixo) Mensagem enviada por golpistas ao setor de contabilidade de Pirassununga Reprodução Depois de cair no golpe, a Prefeitura fez a transferência certa à Le Card em 17 de fevereiro, conforme informações do Portal da Transparência. O município foi questionado, mas não detalhou qual foi a "manobra" orçamentária feita para garantir o crédito. À reportagem, o presidente do Sindicato dos Servidores da cidade, Éder Ricardo Pereira da Cruz, afirmou que, apesar da situação, os funcionários só demoraram seis horas a mais para receber o vale. O diretor-financeiro da Le Card informou que a empresa denunciou o caso ao Banco Central e colaborava com as investigações. Na época, o Banco Rendimento afirmou que a Le Card não possui conta ou relacionamento com a instituição, esclarecendo que a empresa mantém conta digital na 7Trust Finance, responsável por contratar o banco para a liquidação das transações. REVEJA VÍDEOS DA EPTV CENTRAL: