Após receber ajuda, voluntária coordena cozinha popular no interior de SP: 'Gratificante'

Após receber ajuda, voluntária coordena cozinha popular em Araraquara Entre panelas, marmitas e trabalho voluntário, histórias de transformação têm sido ...

Após receber ajuda, voluntária coordena cozinha popular no interior de SP: 'Gratificante'
Após receber ajuda, voluntária coordena cozinha popular no interior de SP: 'Gratificante' (Foto: Reprodução)

Após receber ajuda, voluntária coordena cozinha popular em Araraquara Entre panelas, marmitas e trabalho voluntário, histórias de transformação têm sido construídas nas periferias de Araraquara (SP). 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram Mantidas por doações e pela mobilização da comunidade, as Cozinhas Populares distribuem até 700 marmitas por semana nos bairros Vale Verde e Residencial dos Oitis, atendendo famílias em situação de vulnerabilidade. A técnica de enfermagem Renata Marques dos Santos, de 39 anos, é um dos exemplos do impacto da iniciativa. Antes beneficiária das refeições, ela hoje integra a equipe de voluntários responsável pelo preparo das marmitas. "O projeto entrou na minha vida em um momento de necessidade. Eu era beneficiária e também ajudava como voluntária. As marmitas ajudavam não só a mim, mas muitas famílias da comunidade", disse. Renata dos Santos (à frente) com as amigas voluntárias, Aline e Daiane, durante preparo do rango em Araraquara Arquivo pessoal Pertencimento Há mais de um ano fora do Residencial dos Oitis, Renata continua participando da ação semanalmente ao lado de outras voluntárias. Atualmente, Renata coordena a cozinha dos Oitis ao lado de outras moradoras da comunidade. "Se nós não estivéssemos presentes nesses momentos, talvez algumas pessoas não teriam nem o básico para se alimentar. Ver a gratidão das famílias é muito gratificante", disse. Para José Lopes Nei, integrante do Coletivo Bases e responsável pelo projeto, a trajetória da voluntária representa uma das maiores conquistas do projeto. "É muito bonito perceber pessoas que antes recebiam as marmitas hoje ajudando no preparo dos alimentos. Isso fortalece os laços da comunidade e cria um sentimento de pertencimento", afirmou. Segundo Nei, relatos de pessoas que conseguiram superar dificuldades e passaram a colaborar com o projeto são frequentes. "Recebemos mensagens de agradecimento de famílias que ajudamos a alimentar e também de pessoas que conseguiram um emprego e querem doar alimentos para retribuir o apoio que receberam", contou. Mais notícias da região: SÃO JOÃO DA BOA VISTA: Abandonada após morte, praça ganha vida nova pelas mãos de ciclistas no interior de SP ARARAS: Alunos transformam área verde em jardim que estimula sentidos e alivia estresse no interior de SP ARARAQUARA: Quer adotar um animal? site 'Miaudote' tem mais de 600 cães e gatos no interior de SP Iniciativa da quebrada A iniciativa nasceu em 2023 a partir de uma demanda dos próprios moradores do Residencial dos Oitis. Segundo José Lopes Nei, integrante do Coletivo Bases, a ideia surgiu durante o festival de grafite "De Carandiru à Minha Quebrada", quando uma cozinha improvisada foi montada para alimentar mais de 40 artistas que participavam da ação. Hoje, as cozinhas funcionam regularmente duas vezes por semana em cada bairro. No Oitis, a ação é liderada por Renata e outras voluntárias da comunidade. Já no Vale Verde, os trabalhos são coordenados por Nei e pelo voluntário Ícaro Pegler, com apoio de moradores da região. De acordo com Nei, a procura pelas refeições aumentou nos últimos meses. Atualmente, a equipe consegue atender apenas alguns dias da semana devido à limitação de recursos. "Entregamos entre 600 e 700 marmitas por semana para crianças e famílias. A demanda tem sido muito grande e isso mostra a necessidade contínua de apoio", afirmou. União e voluntariado As refeições são preparadas e distribuídas por voluntários. Embora a divulgação aconteça por grupos de WhatsApp, a própria comunidade ajuda a espalhar a informação para moradores sem acesso à internet ou celular. O projeto atende, principalmente, mulheres responsáveis pelo sustento da família, além de idosos e pessoas em situação de rua. A distribuição é gratuita e voltada a moradores em situação de insegurança alimentar De beneficiária a voluntária: Renata ajuda outras famílias a terem acesso a uma refeição em Araraquara Coletivo Bases Muito além da alimentação Além da distribuição de refeições, as Cozinhas Populares também se transformaram em espaços de acolhimento e capacitação. O coletivo já promoveu oficinas de panificação, produção de bolos e cursos profissionalizantes, como o projeto "Na Régua", que formou jovens e adultos nas áreas de barbearia e cabeleireiro. Outras iniciativas também passaram pelos bairros atendidos, como o projeto "A Escola é Nossa", que utiliza o grafite para aproximar estudantes das escolas e fortalecer a relação com os espaços públicos. Segundo Nei, todas as ações têm o objetivo de oferecer qualificação profissional, ampliar oportunidades de geração de renda e fortalecer a autonomia dos moradores das periferias. Oficinas de grafite são oferecidas dentro do projeto nos bairros atendidos de Araraquara Stainle Fotos e Vídeos Mantido por doações Sem apoio governamental ou ligação partidária, as Cozinhas Populares são mantidas por doações financeiras, alimentos e trabalho voluntário. De acordo com o Coletivo Bases, a arrecadação acontece por meio de campanhas permanentes e contribuições da população. Segundo Nei, com R$ 20 é possível garantir a produção de 10 marmitas. Os organizadores afirmam que, além das doações, também é importante que a população conheça de perto a realidade das comunidades atendidas. "Queremos que as pessoas conheçam a cidade que muitas vezes não aparece. É uma cidade que sustenta Araraquara e que precisa ser vista", disse. Afeto, esperança e organização Para os organizadores, o projeto vai além da entrega de refeições e dialoga com solidariedade, dignidade resistência. "É uma prova de que, com união, conseguimos cuidar uns dos outros e garantir que ninguém passe fome", concluiu Nei. Segundo ele, as cozinhas populares também representam uma porta de entrada para outras formas de mobilização comunitária. "Não existe possibilidade de organização popular por direitos de barriga vazia. Hoje, as cozinhas representam afeto, esperança e organização popular", finalizou. REVEJA VÍDEOS DA EPTV CENTRAL: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara

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